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domingo, 29 de maio de 2011

Vai que é tua... TIRIRICA



Aqui vai minha contribuição no sentido de auxiliar o nosso nobre parlamentar eleito por São Paulo, o ilustríssimo Deputado Federal Francisco Everardo Oliveira Silva na sua liça diária na Câmara dos Deputados.
Este modelo de projeto de Lei contribuirá para que o nosso nobre representante possa formular outros projetos de lei tão relevantes quanto este para melhoria da qualidade do ensino e porque não da qualidade de vida dos meus colegas professores, amenizando o estresse a que são submetidos todos os dias nas escolas públicas do Brasil. Utilizei o modelo num projeto que desenvolvi numa das escolas onde trabalhei intitulado: "A Política na prática". foi um sucesso.
Prezado parlamentar caso necessite de uma assessoria sinta-se à vontade, estou à sua disposição.



Eis aí o modelo.

MODELO
DE UM PROJETO DE LEI

PROJETO DE LEI N0 1 de 06 de Outubro de 2010

Transforma as salas de aula bagunceiras, aquelas que são umas zicas nas Escolas públicas do Brasil em “Salas de passagem” e dá outras providências.

O autor desta Lei Professor Carlos Augusto no uso das atribuições que lhe confere a Licenciatura em História e Geografia pela Universidade Camilo Castelo Banco aprova e eu, o Prefeito do Município de “Xixirica do brejo seco” sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º - Fica decidido que a partir da publicação desta Lei, a Turma "X" da Escola "Z" passa a ser simplesmente uma sala de passagem para os professores que nela ensinam.

Justificativa

Considerando-se que ao longo deste ano letivo foram inúmeras as tentativas dos eminentes professores da referida turma no sentido de trazer os estudantes freqüentadores da mesma para uma postura mais responsável e madura frente à aquisição do conhecimento.

As inúmeras tentativas se mostraram inócuas, bem como todas as estratégias utilizadas para despertar interesse no grupo. É como se o professor ali não estivesse. Os estudantes conversam, passeiam pela sala, alguns anotam alguma “coisa” no caderno, outros nem se preocupam em abrí-los.

Uma vez que imaturidade dos estudantes é incompreensível para o autor desta lei, que em decorrência disto e considerando:

1. A falta de respeito pelo ensino e pelo conhecimento;

2. A falta de compromisso com a Instituição de ensino e com o que vieram aqui fazer;

Decide que a partir da data da promulgação desta Lei:

I. Não mais escreverá relatórios sobre atos de indisciplina ou lacunas na aprendizagem destes estudantes;

II. Não clamará às autoridades escolares por providências quer disciplinares, quer pedagógicas com relação aos referidos estudantes;

III. Não mais exigirá que percebam a minha presença em sala de aula enquanto professor de História “dêles”;

Portanto na forma da Lei esta sala virou “sala de passagem” desde agora até dezembro. APENAS PASSAREI POR ELA. Como um trem expresso passa pelas estações. Como os ônibus interestaduais passam pelos GRAAL’s. Como passam as horas, os minutos e os segundos, dia após dia.

A passagem será efêmera, coisa de alguns minutos. Exatos 45’. No GRAAL seria o tempo de se tomar um cafezinho, comer um salgadinho, beber uma água, ir ao banheiro. Pronto! Passou. Será o tempo de passar a matéria na lousa, aplicar a atividade proposta e recolher a produção do dia. Pronto! Passou!

Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação nos corredores das escolas onde for aplicada.

Carlos Augusto Ferreira Sacramento

Professor Ensino Fundamental II e Médio

Déjà vu

Magnífica a prédica da honorável colega, professora Amanda ­Gurgel, a não ­ser o fato de que ao longo dos últimos anos, ­outros ­­colegas, professores terem proferidos discursos tão objetivos e tão contundentes quanto este, o que por si só justificaria o não escrever ou dizer nada mais que tivesse qualquer relação com o tema educação.

Ocorre que, uma espécie de inquietação me incomoda e me ponho a pensar o seguinte: Por que as palavras proferidas pela colega, ditas de forma tão concisa, incisiva e direta não provoca a mínima reação naqueles a quem ela é dirigida? Afinal, a palavra, desde quando entendo por gente sempre foi um instrumento eficaz utilizado pelas sociedades para se fazerem entender, comunicarem-se, estabelecerem suas relações, enfim, interagirem-se. Nessa perspectiva, a palavra assumia um peso tremendo, possuia um valor, tornava-se, se posso dizer, assim como que um organismo vivo, capaz de suscitar as mais variadas reações nas pessoas por ela atingidos.

A força da palavra era tão tremenda que tinha ela o poder de provocar revoluções, guerras, paz, mudanças nos rumos da história dos homens. Quem ousa questionar o poder que as palavras assumiram na boca de Ghandi, Martin Luther King, Adolf Hitler, Alexandre, O Grande, e no maior de todos: Jesus Cristo. Nas mãos (ou nas mentes) dos poetas, romancistas, filósofos. As palavras cumpriam, no dizer de Antonio Cândido, através da literatura, a missão de reordenar o nosso caos interior, conceito este com o qual concordo inteiramente.

No entanto, quando vejo que palavras como: Amor, Justiça, Liberdade, Maldito, Ladrão, Assassino, Traidor, Miserável, só para ficar naquelas mais comumente ouvidas hoje em dia, não chocam ninguém, fico perguntando: O que pode ter ocorrido com a força destas e de tantas outras palavras cujo sentido traz em seu gene a potência de forças incomensuráveis capazes de produzir naqueles que as ouvem as mais diversas reações? Por que será que elas não provocam mais naqueles a quem são dirigidas nenhuma reação? As palavras, outrora tão poderosas são agora como bolhas de sabão, que assumam o tamanho que assumirem ao colidir com um obstáculo espocam sem provocar nenhum impacto. São inertes, incapaes de produzir no ouvinte quaisquer reações. É como se as palavras agora fossem desprovidas completamente de sentido. Desconstruiu-se a Teoria de Ferdinand Saussurre, ou seja, não se observa nenhuma correspondência entre o signo e o objeto. Amor, Ódio, Ladrão, Assassino, etc. soam completamente desprovidas de significado, sem nenhum poder ou potência, tanto na boca de quem as pronuncia, quanto nos ouvidos de quem as ouve.

Creio ser esta a razão pela qual a prédica da honorável colega não surtirá efeito algum. Seu memorável discurso se transforma numa imensa bolha de sabão que ao espocar libera energia quase nula, insignificante, incapaz de inpactar, mover o objeto que se pretende atingir.

Diante de tal situação creio que a única forma de mudar este estado de coisas é um grande movimento por parte daqueles para quem a palavra falada ou escrita é um elemento forte o suficiente para operar mudança significativa nas mentes e nos corações daqueles cujos ouvidos forem atingidos por elas. E acredito que nesse mover tem papel crucial a figura do professor. “Quem tem ouvidos. Ouça...”

Carlos Augusto Ferreira Sacramento

Professor do Ensino Fundamental e Médio – Geografia

CEU EMEF Manoel Vieira de Queiroz Filho.